Taxa de juros no Brasil é "chocante", diz vencedor do Nobel de Economia
Joseph Stiglitz apontou que cenário impõe desvantagem competitiva e desencoraja investimentos

Camila Stucaluc
O vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2001, Joseph Stiglitz, disse, na 2ª feira (20.mar), que a atual taxa básica de juros no Brasil, conhecida como Selic, é "chocante". Segundo o economista, o acordo do Comitê de Política Monetária do Banco Central em deixar a taxa em 13,75% ao ano pode matar "qualquer economia".
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"A taxa de juros de vocês de fato é chocante. Uma taxa de 13,7%, ou 8% real, é o tipo de taxa que vai matar qualquer economia. O que é impressionante no Brasil é que sobreviveu ao que seria, de fato, uma pena de morte", disse Stiglitz, acrescentando que parte dessa sobrevivência foi dada diante da existência dos bancos estatais.
O economista acrescentou ainda que o fato do Brasil sofre historicamente com altas taxas de juro, quando comparado com outras nações, impõe uma desvantagem competitiva, bem como desencorajam investimentos no país. "Se vocês [brasileiros] tivessem uma política monetária mais razoável, estariam com um crescimento econômico muito maior", apontou.
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A declaração foi dada no seminário Estratégias de Desenvolvimento Sustentável para o Século XXI, realizado pelo BNDES. No evento, o patamar da Selic também foi criticado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, e pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB).